Arquivo para a categoria 'Free thinks'

08
mai
12

Papagaios da Web – Passando adiante a ignorância

Os “botões” Compartilhar e Retweet, no Facebook e no Twitter, respectivamente, fortaleceram uma cultura de passar adiante todo e qualquer tipo de conteúdo. Se checar as fontes na “era da Internet” já era algo pouco praticado, agora é quase impossível – tudo que é publicado é considerado como verdade absoluta, ainda mais se houver imagens. Além do problema da veracidade, algo tão (ou mais) grave é a não-assimilação e não-reflexão sobre as postagens.

Dito isso, quero me ater a algo que vejo há mais de ano: a frase (também em imagens) “enquanto te exploram, tu grita gol”. Bem pensada a frase.

Não sei quem criou, e prefiro nem saber, mas algumas coisas deveriam ser perguntadas para quem dissemina essa afirmação. Por exemplo: o futebol é o único entretenimento da massa brasileira? Será que todos os adeptos dessa frase são tão neutros que sequer assistem ou se envolvem de alguma forma com Big Brother Brasil e demais “reality shows”, programas de auditório ou programas humorísticos?

Então vamos falar de preconceito. Ser adepto do futebol é algo que emburrece, sem exceções? Você compartilha essa mensagem e ao mesmo tempo se mostra indignado quando alguns publicam mensagens preconceituosas contra nordestinos, chamando-os de burros ou incapazes? Admiro tais critérios.

Um torcedor não pode, então, fora de seu momento de lazer esportivo, ler livros, formar opinião, conscientizar-se dos problemas, participar de debates ou consultas públicas?

Quando a bomba explode, é mais fácil culpar a massa. De certo, todos os que assistem ao futebol optam por não assistir aos debates eleitorais, em época de eleição. E quem compartilha tudo isso, será que o faz? Afinal, quem elege os que enganam não são só os que gostam do esporte.

Compartilhar é bonito, passa boas mensagens, ajuda a denunciar “n” problemas e injustiças. Protestar sem uma análise aprofundada e, algumas vezes, sem sugerir caminhos para corrigir o problema é o problema em alta que quero destacar.

E quando o assunto é meio ambiente, os que gritam gol também estão equivocados. Repito, é melhor culpar a massa. Se todos fizessem um simples exercício de olhar suas atitudes diárias, poderíamos resolver alguns problemas ambientais, e não culpar só o governo ou a parte da sociedade que acompanha futebol. Pra não ficar só no discurso, eis exemplos – para mim óbvios – de como cada um evita problemas: não jogue lixo nas ruas, nos rios, lagos, etc; ande menos de carro, opte por bicicletas, transporte público, ou a pé, se o destino for próximo.
Indo adiante, sem ser hipócrita, não posso reclamar de gasto excessivo de água e luz, pois no inverno demoro no banho. Entretanto, nunca atirarei lixo em mares, rios, lagos, bem como em lugar algum a não ser no seu devido lugar. Também sou contrário ao pensamento “vou ligar a TV para ser o som ambiente da casa”. Certas coisas me credenciam a questionar; outras, não. Questão de bom senso.

Será que esse discurso questionador só vale quando se trata de corrupção? As demais mazelas sociais, ambientais e problemas estruturais das cidades podem ser deixadas de lado? Mas vamos resolver isso de uma simples maneira:  culpar quem grita gol, pois esse tipo de gente é alienada.

Não, eu não espero que você compartilhe esse texto, até porque não tem imagens aqui. É melhor compartilhar algo que não precise ser pensado.

18
mar
12

Devaneio Quintanar – da janela do quinto andar

Quando jovem, Mário Quintana ia para Quintão

Para Quintão ia Quintana?

Acho que ele preferia outra banda

Como um passeio na Santana.

No litoral, Mario não ia aos mares

Preferia sossego junto aos familiares.

Lia, relia e escrevia

E então cultura trazia

Para nossos lares

Que ainda hoje lemos

Na janela de prédios de cinco andares.

06
fev
12

Devaneios nos ônibus de Buenos Aires

Ainda no assunto transporte público argentino, no mês de janeiro, o preço do metrô em Buenos Aires passou a ser pago integralmente pelo contribuinte, não mais subsidiado pelo governo.

De acordo com uma amiga que conheci durante a viagem e que andou utilizou esse meio de transporte por alguns dias, os metroviários protestaram contra esse aumento no valor – e de uma forma muito mais interessante do que gritar perante os prédios do governo. Eles liberavam as catracas sem cobrar custo algum. O prejuízo é de quem? Por um dia, o prejuízo não doeu no bolso do cidadão, e sim de quem comanda o sistema metroviário.

Pelo visto, por lá eles levam a sério a máxima pregada por um partido político brasileiro, que diz: “quem bate cartão, não vota em patrão”. É mais ou menos isso, pois quem paga altas taxas e preços diariamente não beneficia o patrão ao protestar.

E se a moda pega por aqui entre os cobradores? Azar é do goleiro.

05
fev
12

Devaneios nos ônibus de Buenos Aires

Bueno, recentemente estive em Buenos Aires e conheci muitos locais e pontos turísticos que realmente valem a pena. Já estou de volta ao país há algumas semanas, mas resolvi postar algo só agora para aproveitar o momento oportuno quando, daqui algumas horas, a passagem de ônibus será cobrada a R$ 2,85. O que isso tem a ver com a minha viagem? Bem, há ligação sim.

Antes de entrar no assunto, um breve panorama entre Buenos Aires e Porto Alegre. Estive em uma região privilegiada da capital argentina, mas não quer dizer que seja a melhor. Pude conhecer vários lugares, dentre eles o Caminito – com aspectos semelhantes ao brique da Redenção na capital gaúcha -; o Puerto Madero, que dizem servir de inspiração para a modernização (eu diria até renascimento) do Cais do Porto e a Casa Rosada, lugar conservado, bem iluminado e aparentemente seguro.

Mas nem tudo é só alegria lá. Em comparação com Porto Alegre, as calçadas são igualmente ruins, e as ruas são muito mais sujas. Chega a ser um absurdo, considerando que Buenos Aires tem mais potencial turístico que POA.

Agora, sobre o transporte público, em resumo: não tenho do que reclamar. Claro, existem defeitos, eu passei apenas 8 dias lá, mas na zona em que estive (bairro San Telmo), havia grande diversidade de linhas que abrangem rotas essenciais para turistas e outras necessárias para os trabalhadores, por exemplo. Atravessei a capital,  fui e voltei do Aeroparque, havia como ir para Ezeiza (outro aeroporto local), conheci o Monumental de Nuñez (que é longe de San Telmo) – tudo isso com apenas um ônibus.

Outro ponto positivo para os hermanos: o número de carros ativos de cada linha é infinitamente superior aos que circulam em Porto Alegre. Por exemplo: Por aqui, há grande número de linhas Restinga (209). Acredito que passe um a cada 5-10 minutos, em dias de semana. Na Argentina, não. Lá, cada linha há um número x circulando pelas ruas e, pelo que pude entender do site do transporte público, há linhas com mais de 50 ônibus em atividade todos os dias. Isso quer dizer que se você perde um ônibus número 130, atrás vem outro. Foi mais ou menos assim em todas as situações que precisei utilizar esse tipo de locomoção. Acorda, Porto Alegre! Esperar mais de meia-hora por um ônibus para fazer obrigações diárias como trabalhar não é justo! Capacidade e renda certamente a cidade possui.

Outra coisa que difere e muito da nossa circulação é que lá existem mais de uma parada ao longo da via. Ou seja, o bus 33 para no local que tiver a placa indicando esse número. Logo, não acontece o mesmo que aqui: se vierem 4 ônibus de linhas diferentes num corredor, e um deles atender alguém no começo da parada, possivelmente o motorista não pare novamente no término dela, deixando o usuário a ver navios. Isso evita também que os motoristas “cortem” o trânsito por fora e não atendam o cidadão.

Ah, e nem cheguei a dizer: O preço da passagem não chega nem a 2 pesos.

Confesso que não compreendi exatamente como funcionam as taxas, mas existem diferentes tarifas. Acredito que seja pela distância que tu vá percorrer, mas não se dizer. O que sei é que sempre paguei 1,35 (em reais dá aproximadamente R$ 0,64).

É tão barato assim porque o valor é subsidiado. O governo paga metade do valor da passagem. Isso também era feito no metrô da cidade até metade de janeiro desse ano, quando o sistema foi privatizado e os valores não mais “rachados” entre população e mandatários.

Mas, e novamente há um mas, o subsídio está com os dias contados. No meu último dia em Buenos Aires, foi divulgado um vídeo oficial do governo dando como prazo limite o dia 10 de fevereiro para esse direito. A partir dessa data, só terá direito ao desconto quem carregar seu cartão SUBE (espécie de TRI e TEU utilizado aqui em Porto Alegre e região metropolitana, respectivamente). Quem colocar as moedas na máquina que te dá um recibo e o troco (um cobrador robotizado e com aspectos do século retrasado), terá de pagar a passagem com seu valor integral.

Certamente em alguns aspectos o transporte público porto-alegrense está avançado em comparação ao argentino. Nossos ônibus são mais modernos e, nesse aspecto, pagar um valor muito superior ao pago pelos argentinos pode até ser válido. Mas nossa cidade deveria se inspirar na regularidade e a agilidade das linhas argentinas. Não é um exemplo europeu ou estadunidense – é de um país aqui do lado.

Se liga, Porto Alegre!

03
fev
12

Neutro

Sabe-se bem o que se quer, mas é mais nítido ainda o que não se quer.
Conseguir o que se almeja não é um problema – é uma motivação.
O problema é se livrar do que não se quer. Parece fácil, mas só parece.
“Tem que ter conceito, recurso e canhota
Carcaça de dinossauro e destreza de gaivota” – diria Forfun
Ou simplesmente
Neutralidade

07
dez
11

Pessoas que mudam

Escrevi essa crônica com o título original de “Hoje eu vou escrever um… Ah, nem vou mais” para um trabalho de aula da cadeira de Texto em Jornalismo Gráfico cuja ordem era escrever uma crônica para um jornal. O texto foi finalizado no dia 05/11 para ser entregue no dia 07/11. Publico-a na íntegra logo abaixo:

Hoje eu vou escrever um… Ah, nem vou mais!

 

Alysson Freitas Mainieri

Já pensou se você resolvesse abrir essa página e estivesse muito a fim de ler um texto de autoria desse que vos escreve e, subitamente, não vê mais esse espaço, sem qualquer explicação? E se, simplesmente, algumas horas ou dias depois descobrisse que, de uma hora para a outra, esse escritor teria desistido da profissão e da escrita, qual seria a sua reação? A minha certamente seria não compreender.

Mudanças súbitas, decisões, “re-decisões”, indecisões, troca e destroca, gostos e desgostos – incompreensível! Como é possível constantemente mudar de opinião, emprego, curso, namorado ou namorada, automóvel, gosto musical, estilo? Não sou a pessoa mais bem resolvida no mundo, nem acredito que exista alguém que não mude de opinião ou desfaça algo em curto espaço de tempo após realizado, mas isso deve ser exceção na vida.

Uma vida pautada por mudanças e “desmudanças” é uma vida constantemente marcada por pessoas e acontecimentos sem valor, são marcas superficiais. Comparo-as a marcas de cigarro na pele – algo feio e pequeno – mas que, em excesso, é capaz de cobrir toda uma personalidade e torná-la irreconhecível para diferentes pessoas de tempos em tempos, pois, quando for lembrada por uma de suas “marcas”, ela já vai ter modificado novamente.

Esse jeito de ser (ou não ser) pode afetar todas as classes sociais, raças, crenças, idades e qualquer povo ao redor do mundo. Nem mesmo as celebridades escapam. Um exemplo no cenário esportivo são as “pausas” nas aposentadorias dos alemães Michael Schumacher, anunciada no final de 2009, para voltar às pistas da Fórmula 1, ou do goleiro Jens Lehmann, nesse ano, quando voltou ao Arsenal, da Inglaterra.

Mas o mais curioso é quando isso – supostamente – envolve um sentimento. É possível alguém amar e “desamar” em pouco tempo? E casar e separar em 3 dias? Para Kim Kardashian, é. Em apenas 72 dias junto com o jogador da NBA Kris Humphries, resolveram se casar e, 3 dias após o casamento, separaram-se. Há quem diga que foi um golpe de marketing. A mim, pouco importa. O que não tem como entender é como se vive de troca-troca e indecisão. Ou será que tem? Ah, esqueçam o que eu escrevi.

16
nov
11

Vamos voltar a fazer a porra do nosso trabalho!

Hoje passei boa parte da manhã trabalhando ao som do show completo do System Of A Down no Rock In Rio. Uma nostalgia só.

Relembrei esse discurso logo abaixo do Serj antes de Holy Mountains. É algo que deveria ser prestado atenção por todas as sociedades, mas, em especial, pelos governantes e todos aqueles que tem em mãos o poder de decisão para mudar a vida da população, seja ela municipal, estadual, nacional ou mundial.

“Rio! Rio, vocês estão comigo? Vocês estão com o System of a Down? O século XX foi atormentado por duas Guerras Mundiais, genocídio, a matança do meio ambiente e destruição de nosso ecossistema. É, o homem pensa que é bem esperto ao ser capaz de desenvolver todas essas máquinas para que possamos destruir. Nós somos os animais mais burros da porra desse planeta! Todas as vezes que vocês olharem no espelho, vocês podem dizer duas coisas: 1) somos a luz e o espírito, parte do espírito que se move através de todas as cosias e 2) somos os seres mais burros desse planeta. Ambos somos nós. Yin e Yang. Dicotomia, meus amigos. Há um modo de resolver esse problema: descer ao chão, pegar algumas plantas, colocá-las no seu nariz e ser parte da Terra, porque sem a Terra nós estamos mortos. Sem nosso ecossistema vamos morrer! Somos maníacos genocidas de nosso planeta e nossa própria destruição! Ainda assim, ao mesmo tempo… estamos redimidos. Somos a redenção. Somos os cuidadores originais da Mãe Terra. Vamos voltar a fazer a porra do nosso trabalho”.

 

Tradução: Lika Tankian, do siteofadown.com

04
out
11

Brasil – Um paradoxo para todos

O fato do momento é a piada do Rafinha Bastos no programa CQC, no qual falou que “comeria” a Wanessa Camargo e seu bebê, por ela estar linda na fase atual de vida. Vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=BAV7pm_UYxk&feature=aso

Uma piada – infeliz ou não – vinda de um humorista (humor, piadista, engraçadinho ou não; não é sério, ele não vai cometer as atrocidades e bobagens que fala) causou um estardalhaço na nação. A Band afastou o apresentador que sabe ser sério quando precisa (quem assiste ao programa A Liga percebe do potencial jornalístico do Rafinha e de toda a equipe) e que satiriza tudo e todos no programa Custe o Que Custar.

Custou pra ele o afastamento do programa sem tempo determinado. Quando Boris Casoy falou mal dos garis, uma profissão digna, e que não tem e nunca terão um contato próximo com o apresentador, a emissora apenas pediu para ele pedir desculpas no ar.

O paradoxo

Uma piada com uma celebridade e seu filho revoltou uma nação. As pessoas se mobilizaram de todas as formas, os anunciantes e parceiros da emissora mostraram-se contrários e ofendidos, até mesmo o companheiro de bancada de Rafinha, Marco Luque, emitiu uma nota posicionando-se contra o parceiro de programa e o teor da piada. Ok, discutível o nível da piada.

Ao mesmo tempo, os fãs de Rafinha clamam pelo retorno do humorista ao programa nas redes sociais.

Porém quando o assunto é denunciar, protestar e tentar acabar com a corrupção do país; quando é necessário fiscalizar os políticos e o andamento dos órgãos públicos da nação; quando a justiça tem que ser feita para quem de fato a merece; quando se precisa de segurança e de direitos humanos para “humanos direitos” e que algo precisa ser modificado na Constituição Nacional para acabar com a injustiça de punir os inocentes (aqueles que eventualmente protestam, por exemplo) e, principalmente, facilitar pra quem é ladrão ou assassino – nesses casos, não há mobilização, não há revolta, não há #hashtag que comova uma nação.

Parece que esse tipo de situação extrema e realmente revoltante precisa acontecer contra celebridades e sub-celebridades para as pessoas se revoltarem e pedirem providências.

 

Em tempo: Quem me segue no Twitter viu que eu postei algo com a hashtag #voltarafinha – foi uma demonstração de humor e ironia. Não há hipocrisia; não prezo o retorno do Rafinha ao CQC porque nem tenho mais tempo pra assistir ao programa, apesar de gostar do trabalho dele. Grato.

 

14
set
11

Preguiçoso

Mudo constantemente.
Prometo que vou mudar, e mudo.
No primeiro dia, mostro que mudei.
No segundo, mantenho a palavra.
Talvez no terceiro ainda mostro que estou diferente.
Mas logo me canso e torno a mudar.
Volto para o que já era.

14
jul
11

Chuva

 

Hoje chove, as pessoas acham bom e dizem que amam a chuva.

Nunca vi amar algo e se manter longe do que é amado.

Mas é isso que fazem com a chuva, salvo no verão quando as pessoas realmente se molham nela.

Quem sai no inverno pra rua sem se proteger? Quantos tomam banho de chuva?

Então, como amá-la?

É bom pra ficar em casa? Sim, porque é ruim ter que sair de casa, se molhar e ganhar uma gripe. Acho que, na verdade, ela só é usada como desculpa pra deixar a preguiça imperar, ter um motivo pra não sair de casa.

Mas amam a chuva.




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