Os “botões” Compartilhar e Retweet, no Facebook e no Twitter, respectivamente, fortaleceram uma cultura de passar adiante todo e qualquer tipo de conteúdo. Se checar as fontes na “era da Internet” já era algo pouco praticado, agora é quase impossível – tudo que é publicado é considerado como verdade absoluta, ainda mais se houver imagens. Além do problema da veracidade, algo tão (ou mais) grave é a não-assimilação e não-reflexão sobre as postagens.
Dito isso, quero me ater a algo que vejo há mais de ano: a frase (também em imagens) “enquanto te exploram, tu grita gol”. Bem pensada a frase.
Não sei quem criou, e prefiro nem saber, mas algumas coisas deveriam ser perguntadas para quem dissemina essa afirmação. Por exemplo: o futebol é o único entretenimento da massa brasileira? Será que todos os adeptos dessa frase são tão neutros que sequer assistem ou se envolvem de alguma forma com Big Brother Brasil e demais “reality shows”, programas de auditório ou programas humorísticos?
Então vamos falar de preconceito. Ser adepto do futebol é algo que emburrece, sem exceções? Você compartilha essa mensagem e ao mesmo tempo se mostra indignado quando alguns publicam mensagens preconceituosas contra nordestinos, chamando-os de burros ou incapazes? Admiro tais critérios.
Um torcedor não pode, então, fora de seu momento de lazer esportivo, ler livros, formar opinião, conscientizar-se dos problemas, participar de debates ou consultas públicas?
Quando a bomba explode, é mais fácil culpar a massa. De certo, todos os que assistem ao futebol optam por não assistir aos debates eleitorais, em época de eleição. E quem compartilha tudo isso, será que o faz? Afinal, quem elege os que enganam não são só os que gostam do esporte.
Compartilhar é bonito, passa boas mensagens, ajuda a denunciar “n” problemas e injustiças. Protestar sem uma análise aprofundada e, algumas vezes, sem sugerir caminhos para corrigir o problema é o problema em alta que quero destacar.
E quando o assunto é meio ambiente, os que gritam gol também estão equivocados. Repito, é melhor culpar a massa. Se todos fizessem um simples exercício de olhar suas atitudes diárias, poderíamos resolver alguns problemas ambientais, e não culpar só o governo ou a parte da sociedade que acompanha futebol. Pra não ficar só no discurso, eis exemplos – para mim óbvios – de como cada um evita problemas: não jogue lixo nas ruas, nos rios, lagos, etc; ande menos de carro, opte por bicicletas, transporte público, ou a pé, se o destino for próximo.
Indo adiante, sem ser hipócrita, não posso reclamar de gasto excessivo de água e luz, pois no inverno demoro no banho. Entretanto, nunca atirarei lixo em mares, rios, lagos, bem como em lugar algum a não ser no seu devido lugar. Também sou contrário ao pensamento “vou ligar a TV para ser o som ambiente da casa”. Certas coisas me credenciam a questionar; outras, não. Questão de bom senso.
Será que esse discurso questionador só vale quando se trata de corrupção? As demais mazelas sociais, ambientais e problemas estruturais das cidades podem ser deixadas de lado? Mas vamos resolver isso de uma simples maneira: culpar quem grita gol, pois esse tipo de gente é alienada.
Não, eu não espero que você compartilhe esse texto, até porque não tem imagens aqui. É melhor compartilhar algo que não precise ser pensado.