No momento, nada me importa, exceto a mudança de Ask Agent para Boarding”na tela de Partidas/Departures e com o número do devido portão de acesso à aeronave. O inglês de diversas bandas em primeiro plano, mas como plano de fundo auditivo, diferentes línguas e culturas ofuscadas ao natural por se tratar de centenas de pessoas em um mesmo lugar, com destinos diferentes. Em comum, apenas a espera pelo embarque em seu respectivo avião.
“Vamos adiantar o voo que seria o PU 17x para o PU 174 que parte às 17:55, pode se encaminhar ao setor de embarque a partir das 17:30”. Ok. Capaz que ia ser assim, bom demais chegar antes do começo da madrugada no Brasil.
Não sei o que acontece, mas muitos voos estão na mesma situação, porém o que eu aguardo foi avisado há pouco pelos alto-falantes que está “Inapto”. Inapto nada! Se tá inapto é melhor nem partir com essa nave.
Enquanto isso, why don’t you ask your flight agency? Porque já estamos “na boca do túnel” e olhar pra tela de departures só dá um sentimento de ansiedade ainda maior. Talvez seja só em mim, porque muitos voarão a negócios, outros não querem voltar pra casa, outros querem mais é gastar muitos dólares no Free Shop do embarque internacional. Eu também gastaria, mas peso argentino vale tanto quanto um papel higiênico usado. Se as cifras que me restaram fossem “traduzidas” na íntegra para o Real, quedariame satisfeito, pero no és así.
O que surpreende no Aeroparque é que se tenha que comprar um cartão para saber a senha da rede wi-fi. Muita mesquinharia. Acho que nem no Brasil é cobrada uma taxa para se ter acesso à internet nos aeroportos, mas enfim. Pelo menos em Montevideo o esquema é livre (de repente até posto de lá isso que escrevi).
Às 18:39, horário de Buenos Aires, muda o letreiro do voo para delayed. Ah é que tá atrasado? Daqui a pouco chega o horário do meu retorno de origem (19:30 locais) e eu quedome aqui. Só o que falta, pois está marcada para às 20h a chegada da aeronave. Aí me caem os butiás dos bolsos.
Queria muito saber a temperatura nas calles de Buenos Aires, porque aqui nesse salão parece estar uns 15ºC, ou eu desaprendi o que é frio – vivendo em Porto Alegre e passando uma semana em Buenos Aires, com calor semelhante, é possível que isso tenha ocorrido.
Uma fome infernal, e tudo o que tenho pra comer são alfajores, alguns dos quais eu pretendo passar adiante. Mas, se seguir do jeito que tá, vai ser difícil não comê-los.
A música sempre se faz presente. Escuto Tell Me Baby, do Red Hot Chili Peppers, e o Anthony Kiedis pergunta Where you come from and where you want to go this time on?. Ao término dessa faixa, no modo aleatório, começa Cute Machines, do Scars On Broadway, e o Daron, incessantemente, diz Go, go, go, go, go! Por mim, eu ia mesmo, mas essa cute flying machine não chega nunca.
(No fim, adiantaram um voo, mas, na verdade, acabou atrasando o previsto. Muito bom).
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