Bueno, recentemente estive em Buenos Aires e conheci muitos locais e pontos turísticos que realmente valem a pena. Já estou de volta ao país há algumas semanas, mas resolvi postar algo só agora para aproveitar o momento oportuno quando, daqui algumas horas, a passagem de ônibus será cobrada a R$ 2,85. O que isso tem a ver com a minha viagem? Bem, há ligação sim.
Antes de entrar no assunto, um breve panorama entre Buenos Aires e Porto Alegre. Estive em uma região privilegiada da capital argentina, mas não quer dizer que seja a melhor. Pude conhecer vários lugares, dentre eles o Caminito – com aspectos semelhantes ao brique da Redenção na capital gaúcha -; o Puerto Madero, que dizem servir de inspiração para a modernização (eu diria até renascimento) do Cais do Porto e a Casa Rosada, lugar conservado, bem iluminado e aparentemente seguro.
Mas nem tudo é só alegria lá. Em comparação com Porto Alegre, as calçadas são igualmente ruins, e as ruas são muito mais sujas. Chega a ser um absurdo, considerando que Buenos Aires tem mais potencial turístico que POA.
Agora, sobre o transporte público, em resumo: não tenho do que reclamar. Claro, existem defeitos, eu passei apenas 8 dias lá, mas na zona em que estive (bairro San Telmo), havia grande diversidade de linhas que abrangem rotas essenciais para turistas e outras necessárias para os trabalhadores, por exemplo. Atravessei a capital, fui e voltei do Aeroparque, havia como ir para Ezeiza (outro aeroporto local), conheci o Monumental de Nuñez (que é longe de San Telmo) – tudo isso com apenas um ônibus.
Outro ponto positivo para os hermanos: o número de carros ativos de cada linha é infinitamente superior aos que circulam em Porto Alegre. Por exemplo: Por aqui, há grande número de linhas Restinga (209). Acredito que passe um a cada 5-10 minutos, em dias de semana. Na Argentina, não. Lá, cada linha há um número x circulando pelas ruas e, pelo que pude entender do site do transporte público, há linhas com mais de 50 ônibus em atividade todos os dias. Isso quer dizer que se você perde um ônibus número 130, atrás vem outro. Foi mais ou menos assim em todas as situações que precisei utilizar esse tipo de locomoção. Acorda, Porto Alegre! Esperar mais de meia-hora por um ônibus para fazer obrigações diárias como trabalhar não é justo! Capacidade e renda certamente a cidade possui.
Outra coisa que difere e muito da nossa circulação é que lá existem mais de uma parada ao longo da via. Ou seja, o bus 33 para no local que tiver a placa indicando esse número. Logo, não acontece o mesmo que aqui: se vierem 4 ônibus de linhas diferentes num corredor, e um deles atender alguém no começo da parada, possivelmente o motorista não pare novamente no término dela, deixando o usuário a ver navios. Isso evita também que os motoristas “cortem” o trânsito por fora e não atendam o cidadão.
Ah, e nem cheguei a dizer: O preço da passagem não chega nem a 2 pesos.
Confesso que não compreendi exatamente como funcionam as taxas, mas existem diferentes tarifas. Acredito que seja pela distância que tu vá percorrer, mas não se dizer. O que sei é que sempre paguei 1,35 (em reais dá aproximadamente R$ 0,64).
É tão barato assim porque o valor é subsidiado. O governo paga metade do valor da passagem. Isso também era feito no metrô da cidade até metade de janeiro desse ano, quando o sistema foi privatizado e os valores não mais “rachados” entre população e mandatários.
Mas, e novamente há um mas, o subsídio está com os dias contados. No meu último dia em Buenos Aires, foi divulgado um vídeo oficial do governo dando como prazo limite o dia 10 de fevereiro para esse direito. A partir dessa data, só terá direito ao desconto quem carregar seu cartão SUBE (espécie de TRI e TEU utilizado aqui em Porto Alegre e região metropolitana, respectivamente). Quem colocar as moedas na máquina que te dá um recibo e o troco (um cobrador robotizado e com aspectos do século retrasado), terá de pagar a passagem com seu valor integral.
Certamente em alguns aspectos o transporte público porto-alegrense está avançado em comparação ao argentino. Nossos ônibus são mais modernos e, nesse aspecto, pagar um valor muito superior ao pago pelos argentinos pode até ser válido. Mas nossa cidade deveria se inspirar na regularidade e a agilidade das linhas argentinas. Não é um exemplo europeu ou estadunidense – é de um país aqui do lado.
Se liga, Porto Alegre!