06
fev
12

Devaneios nos ônibus de Buenos Aires

Ainda no assunto transporte público argentino, no mês de janeiro, o preço do metrô em Buenos Aires passou a ser pago integralmente pelo contribuinte, não mais subsidiado pelo governo.

De acordo com uma amiga que conheci durante a viagem e que andou utilizou esse meio de transporte por alguns dias, os metroviários protestaram contra esse aumento no valor – e de uma forma muito mais interessante do que gritar perante os prédios do governo. Eles liberavam as catracas sem cobrar custo algum. O prejuízo é de quem? Por um dia, o prejuízo não doeu no bolso do cidadão, e sim de quem comanda o sistema metroviário.

Pelo visto, por lá eles levam a sério a máxima pregada por um partido político brasileiro, que diz: “quem bate cartão, não vota em patrão”. É mais ou menos isso, pois quem paga altas taxas e preços diariamente não beneficia o patrão ao protestar.

E se a moda pega por aqui entre os cobradores? Azar é do goleiro.

05
fev
12

Devaneios nos ônibus de Buenos Aires

Bueno, recentemente estive em Buenos Aires e conheci muitos locais e pontos turísticos que realmente valem a pena. Já estou de volta ao país há algumas semanas, mas resolvi postar algo só agora para aproveitar o momento oportuno quando, daqui algumas horas, a passagem de ônibus será cobrada a R$ 2,85. O que isso tem a ver com a minha viagem? Bem, há ligação sim.

Antes de entrar no assunto, um breve panorama entre Buenos Aires e Porto Alegre. Estive em uma região privilegiada da capital argentina, mas não quer dizer que seja a melhor. Pude conhecer vários lugares, dentre eles o Caminito – com aspectos semelhantes ao brique da Redenção na capital gaúcha -; o Puerto Madero, que dizem servir de inspiração para a modernização (eu diria até renascimento) do Cais do Porto e a Casa Rosada, lugar conservado, bem iluminado e aparentemente seguro.

Mas nem tudo é só alegria lá. Em comparação com Porto Alegre, as calçadas são igualmente ruins, e as ruas são muito mais sujas. Chega a ser um absurdo, considerando que Buenos Aires tem mais potencial turístico que POA.

Agora, sobre o transporte público, em resumo: não tenho do que reclamar. Claro, existem defeitos, eu passei apenas 8 dias lá, mas na zona em que estive (bairro San Telmo), havia grande diversidade de linhas que abrangem rotas essenciais para turistas e outras necessárias para os trabalhadores, por exemplo. Atravessei a capital,  fui e voltei do Aeroparque, havia como ir para Ezeiza (outro aeroporto local), conheci o Monumental de Nuñez (que é longe de San Telmo) – tudo isso com apenas um ônibus.

Outro ponto positivo para os hermanos: o número de carros ativos de cada linha é infinitamente superior aos que circulam em Porto Alegre. Por exemplo: Por aqui, há grande número de linhas Restinga (209). Acredito que passe um a cada 5-10 minutos, em dias de semana. Na Argentina, não. Lá, cada linha há um número x circulando pelas ruas e, pelo que pude entender do site do transporte público, há linhas com mais de 50 ônibus em atividade todos os dias. Isso quer dizer que se você perde um ônibus número 130, atrás vem outro. Foi mais ou menos assim em todas as situações que precisei utilizar esse tipo de locomoção. Acorda, Porto Alegre! Esperar mais de meia-hora por um ônibus para fazer obrigações diárias como trabalhar não é justo! Capacidade e renda certamente a cidade possui.

Outra coisa que difere e muito da nossa circulação é que lá existem mais de uma parada ao longo da via. Ou seja, o bus 33 para no local que tiver a placa indicando esse número. Logo, não acontece o mesmo que aqui: se vierem 4 ônibus de linhas diferentes num corredor, e um deles atender alguém no começo da parada, possivelmente o motorista não pare novamente no término dela, deixando o usuário a ver navios. Isso evita também que os motoristas “cortem” o trânsito por fora e não atendam o cidadão.

Ah, e nem cheguei a dizer: O preço da passagem não chega nem a 2 pesos.

Confesso que não compreendi exatamente como funcionam as taxas, mas existem diferentes tarifas. Acredito que seja pela distância que tu vá percorrer, mas não se dizer. O que sei é que sempre paguei 1,35 (em reais dá aproximadamente R$ 0,64).

É tão barato assim porque o valor é subsidiado. O governo paga metade do valor da passagem. Isso também era feito no metrô da cidade até metade de janeiro desse ano, quando o sistema foi privatizado e os valores não mais “rachados” entre população e mandatários.

Mas, e novamente há um mas, o subsídio está com os dias contados. No meu último dia em Buenos Aires, foi divulgado um vídeo oficial do governo dando como prazo limite o dia 10 de fevereiro para esse direito. A partir dessa data, só terá direito ao desconto quem carregar seu cartão SUBE (espécie de TRI e TEU utilizado aqui em Porto Alegre e região metropolitana, respectivamente). Quem colocar as moedas na máquina que te dá um recibo e o troco (um cobrador robotizado e com aspectos do século retrasado), terá de pagar a passagem com seu valor integral.

Certamente em alguns aspectos o transporte público porto-alegrense está avançado em comparação ao argentino. Nossos ônibus são mais modernos e, nesse aspecto, pagar um valor muito superior ao pago pelos argentinos pode até ser válido. Mas nossa cidade deveria se inspirar na regularidade e a agilidade das linhas argentinas. Não é um exemplo europeu ou estadunidense – é de um país aqui do lado.

Se liga, Porto Alegre!

03
fev
12

Neutro

Sabe-se bem o que se quer, mas é mais nítido ainda o que não se quer.
Conseguir o que se almeja não é um problema – é uma motivação.
O problema é se livrar do que não se quer. Parece fácil, mas só parece.
“Tem que ter conceito, recurso e canhota
Carcaça de dinossauro e destreza de gaivota” – diria Forfun
Ou simplesmente
Neutralidade

25
jan
12

Guri novo de viagem internacional

No momento, nada me importa, exceto a mudança de Ask Agent para Boarding”na tela de Partidas/Departures e com o número do devido portão de acesso à aeronave. O inglês de diversas bandas em primeiro plano, mas como plano de fundo auditivo, diferentes línguas e culturas ofuscadas ao natural por se tratar de centenas de pessoas em um mesmo lugar, com destinos diferentes. Em comum, apenas a espera pelo embarque em seu respectivo avião.

“Vamos adiantar o voo que seria o PU 17x para o PU 174 que parte às 17:55, pode se encaminhar ao setor de embarque a partir das 17:30”. Ok. Capaz que ia ser assim, bom demais chegar antes do começo da madrugada no Brasil.
Não sei o que acontece, mas muitos voos estão na mesma situação, porém o que eu aguardo foi avisado há pouco pelos alto-falantes que está “Inapto”. Inapto nada! Se tá inapto é melhor nem partir com essa nave.

Enquanto isso, why don’t you ask your flight agency? Porque já estamos “na boca do túnel” e olhar pra tela de departures só dá um sentimento de ansiedade ainda maior. Talvez seja só em mim, porque muitos voarão a negócios, outros não querem voltar pra casa, outros querem mais é gastar muitos dólares no Free Shop do embarque internacional. Eu também gastaria, mas peso argentino vale tanto quanto um papel higiênico usado. Se as cifras que me restaram fossem “traduzidas” na íntegra para o Real, quedariame satisfeito, pero no és así.

O que surpreende no Aeroparque é que se tenha que comprar um cartão para saber a senha da rede wi-fi. Muita mesquinharia. Acho que nem no Brasil é cobrada uma taxa para se ter acesso à internet nos aeroportos, mas enfim. Pelo menos em Montevideo o esquema é livre (de repente até posto de lá isso que escrevi).

Às 18:39, horário de Buenos Aires, muda o letreiro do voo para delayed. Ah é que tá atrasado? Daqui a pouco  chega o horário do meu retorno de origem (19:30 locais) e eu quedome aqui. Só o que falta, pois está marcada para às 20h a chegada da aeronave. Aí me caem os butiás dos bolsos.

Queria muito saber a temperatura nas calles de Buenos Aires, porque aqui nesse salão parece estar uns 15ºC, ou eu desaprendi o que é frio – vivendo em Porto Alegre e passando uma semana em Buenos Aires, com calor semelhante, é possível que isso tenha ocorrido.

Uma fome infernal, e tudo o que tenho pra comer são alfajores, alguns dos quais eu pretendo passar adiante. Mas, se seguir do jeito que tá, vai ser difícil não comê-los.

A música sempre se faz presente. Escuto Tell Me Baby, do Red Hot Chili Peppers, e o Anthony Kiedis pergunta Where you come from and where you want to go this time on?. Ao término dessa faixa, no modo aleatório, começa Cute Machines, do Scars On Broadway, e o Daron, incessantemente, diz Go, go, go, go, go! Por mim, eu ia mesmo, mas essa cute flying machine não chega nunca.

(No fim, adiantaram um voo, mas, na verdade, acabou atrasando o previsto. Muito bom).

07
dez
11

Pessoas que mudam

Escrevi essa crônica com o título original de “Hoje eu vou escrever um… Ah, nem vou mais” para um trabalho de aula da cadeira de Texto em Jornalismo Gráfico cuja ordem era escrever uma crônica para um jornal. O texto foi finalizado no dia 05/11 para ser entregue no dia 07/11. Publico-a na íntegra logo abaixo:

Hoje eu vou escrever um… Ah, nem vou mais!

 

Alysson Freitas Mainieri

Já pensou se você resolvesse abrir essa página e estivesse muito a fim de ler um texto de autoria desse que vos escreve e, subitamente, não vê mais esse espaço, sem qualquer explicação? E se, simplesmente, algumas horas ou dias depois descobrisse que, de uma hora para a outra, esse escritor teria desistido da profissão e da escrita, qual seria a sua reação? A minha certamente seria não compreender.

Mudanças súbitas, decisões, “re-decisões”, indecisões, troca e destroca, gostos e desgostos – incompreensível! Como é possível constantemente mudar de opinião, emprego, curso, namorado ou namorada, automóvel, gosto musical, estilo? Não sou a pessoa mais bem resolvida no mundo, nem acredito que exista alguém que não mude de opinião ou desfaça algo em curto espaço de tempo após realizado, mas isso deve ser exceção na vida.

Uma vida pautada por mudanças e “desmudanças” é uma vida constantemente marcada por pessoas e acontecimentos sem valor, são marcas superficiais. Comparo-as a marcas de cigarro na pele – algo feio e pequeno – mas que, em excesso, é capaz de cobrir toda uma personalidade e torná-la irreconhecível para diferentes pessoas de tempos em tempos, pois, quando for lembrada por uma de suas “marcas”, ela já vai ter modificado novamente.

Esse jeito de ser (ou não ser) pode afetar todas as classes sociais, raças, crenças, idades e qualquer povo ao redor do mundo. Nem mesmo as celebridades escapam. Um exemplo no cenário esportivo são as “pausas” nas aposentadorias dos alemães Michael Schumacher, anunciada no final de 2009, para voltar às pistas da Fórmula 1, ou do goleiro Jens Lehmann, nesse ano, quando voltou ao Arsenal, da Inglaterra.

Mas o mais curioso é quando isso – supostamente – envolve um sentimento. É possível alguém amar e “desamar” em pouco tempo? E casar e separar em 3 dias? Para Kim Kardashian, é. Em apenas 72 dias junto com o jogador da NBA Kris Humphries, resolveram se casar e, 3 dias após o casamento, separaram-se. Há quem diga que foi um golpe de marketing. A mim, pouco importa. O que não tem como entender é como se vive de troca-troca e indecisão. Ou será que tem? Ah, esqueçam o que eu escrevi.

16
nov
11

Vamos voltar a fazer a porra do nosso trabalho!

Hoje passei boa parte da manhã trabalhando ao som do show completo do System Of A Down no Rock In Rio. Uma nostalgia só.

Relembrei esse discurso logo abaixo do Serj antes de Holy Mountains. É algo que deveria ser prestado atenção por todas as sociedades, mas, em especial, pelos governantes e todos aqueles que tem em mãos o poder de decisão para mudar a vida da população, seja ela municipal, estadual, nacional ou mundial.

“Rio! Rio, vocês estão comigo? Vocês estão com o System of a Down? O século XX foi atormentado por duas Guerras Mundiais, genocídio, a matança do meio ambiente e destruição de nosso ecossistema. É, o homem pensa que é bem esperto ao ser capaz de desenvolver todas essas máquinas para que possamos destruir. Nós somos os animais mais burros da porra desse planeta! Todas as vezes que vocês olharem no espelho, vocês podem dizer duas coisas: 1) somos a luz e o espírito, parte do espírito que se move através de todas as cosias e 2) somos os seres mais burros desse planeta. Ambos somos nós. Yin e Yang. Dicotomia, meus amigos. Há um modo de resolver esse problema: descer ao chão, pegar algumas plantas, colocá-las no seu nariz e ser parte da Terra, porque sem a Terra nós estamos mortos. Sem nosso ecossistema vamos morrer! Somos maníacos genocidas de nosso planeta e nossa própria destruição! Ainda assim, ao mesmo tempo… estamos redimidos. Somos a redenção. Somos os cuidadores originais da Mãe Terra. Vamos voltar a fazer a porra do nosso trabalho”.

 

Tradução: Lika Tankian, do siteofadown.com

03
nov
11

Embaralhais

De Alysson Mainieri e Bibiana Dihl

Dê-me o baralho

Diz a fanática

Do trovador ao astuto

E o jogador compulsivo

Mas o moleque e o aprendiz

Da carteada rotineira

Dizem todos os dias

Acaba logo, negada

Que amanhã eu trabalho

 

18
out
11

Ahora

Se não for agora, então será quando?

A hora é agora

09
out
11

Frases de rua #3

Se a passagem aumentar, a cidade vai parar.

A passagem aumentou, mas a cidade não parou.

05
out
11

Frases de rua #2

Questionar tudo!




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